InteriorEssa rua tem teu nome,
Teu cheiro, o teu perfume...
O teu jeito de andar.
Essa rua tem teu modo de olhar,
De sentir...
Essa rua tem teu modo de expressar...
Teu modo de pensar.
Essa rua faz-me sofrer, chorar...
Traz-me, a toda hora, a lembrança...
Faz-me recordar o teu modo de amar.
Fui embora para bem longe...
Procurei um país que não fosse teu...Que tivesse uma rua que não [fosse tua.
Sentei-me na calçada,
Quando de repente, do nada,
Ouvi uma fraca gargalhada.
Tentei distrair-me, mas aquele som...
Oh! Como fez música em meus ouvidos!
Não consegui para a pessoa olhar,
Fiquei com o rosto virado a pensar.
Outra vez... O som estava mais próximo e me embriagou...
Curiosa, olhei para o lado...
Sorrindo, tu me olhaste.
Fiquei sem reação.
Quando voltei a mim, na mesma hora, corri...
Novamente fugi...
Mas, no mesmo dia, tu me achaste.
Não importava para onde eu viajava,
De carona, parecias vir na bagagem.
Quando descobri que, para onde quer que eu fosse,
Virias junto...
Virias junto, dentro de mim...
Virias junto, em meu olhar.
É por isso
Que, para onde me direcionar,
Irás estar...
Pois esse sentimento é meu, não teu...
Porque essa minha rua, fiz tua...
Porque esse meu coração, fiz teu.
Belo Horizonte, 13 de setembro de 1999.